Prelectores do colóquio sobre Inteligência Artificial (IA) e futuro da Comunicação Social, realizado pelo Departamento de Língua Portuguesa e Comunicação da Universidade Metodista, de 25 a 26 deste mês, no auditório local, defenderam a necessidade de haver um jornalismo mais investigativo, melhor tratamento de dados, reestruturação dos programas curriculares dos cursos de Jornalismo e criação de laboratório de comunicação.
A abertura do evento coube ao decano da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, Osmilde Miranda, em representação do Magnífico Reitor, Tiago Caungo, e à directora do curso de Língua Portuguesa e Comunicação, Telma dos Reis, que, na ocasião, agradeceram a presença de todos, referindo-se à necessidade de realização de encontros do género face ao aparecimento da IA.
O primeiro dia, 25, teve como prelectores Amadeu Cassinda, assessor de comunicação da Academia BAI, bem como os jornalistas Reginaldo Silva (membro da ERCA), Sandra Mainsel (TPA) e Álvaro Victória Maviluka (Economia & Mercado).
Amadeu Cassinda abordou o tema ‘A IA e a Transformação da Comunicação: Tecnologia, confiança e futuro da influência’. O assessor de comunicação afirmou que “toda a evolução ocorrida na sociedade teve impacto na comunicação”.
Para o comunicólogo, quanto mais a comunicação for circulada, mais haverá dúvidas, pois não se saberá em quem acreditar.
Horas depois, foi a vez de Reginaldo Silva, Sandra Mainsel e Álvao Victória, que participaram de uma mesa-redonda subordinada ao tema ‘A Reconfiguração do Perfil Profissional: Que competências o jornalista e o comunicador do futuro precisam de desenvolver para coexistir com a IA’.
Os três profissionais defenderam, no encontro, que o jornalista deve informar com rigor e verdade e, quanto às informações da IA, há necessidades de se fazer um jornalismo investigativo e haver melhor tratamento de dados.
Entretanto, reconheceram que a IA está a ser também uma “ferramenta facilitadora na divulgação de conteúdos, mas é necessário que os profissionais da comunicação investiguem mais”.
O segundo dia, 26, foi preleccionado pelos jornalistas Adilson Garcia, da TV Girassol, Luís Galrão e José Vieira Dias Maurício (director do Polígrafo África).
Adilson Garcia apresentou o tema ‘O Papel da Inteligência Artificial na Redacção de Notícias e na Análise de Grandes Volumes de Dados’.
De acordo com o prelector, igualmente docente da Universidade Metodista de Angola no curso de Direito, o jornalismo precisará sempre do homem, pois, no seu entender, há casos que a IA não tem, como, por exemplo, a situação sócio-afectiva.
“A IA não vela pela situação sócio-afectiva. O jornalismo depende muito da linha editorial de cada órgão”. Embora a IA possa informar, quem saberá tratar melhor os dados é o jornalista, através do jornalismo investigativo, o rigor e a verdade”, defendeu.
O também advogado lembrou uma situação durante um convívio com amigos em Portugal, onde lhe foi dito que, com o surgimento da IA, a profissão de advogado poderá desaparecer dentro de cinco anos.
“Quando estive em Portugal, saí com uns amigos. Um deles chegou a afirmar-me que, com a IA, a profissão de advogado poderá desaparecer dentro de cinco anos”, lembrou.
Já José Maurício e Luís Galrão tiveram uma mesa-redonda sobre o tema ‘O Desafio da Desinformação na Era dos Deepfakes: Estratégias e Verificação de factos (Fac – checking e impacto da IA generativa na confiança do público’.
José Maurício, director do Polígrafo África, é de opinião que os futuros jornalistas e comunicólogos devem recorrer poucas vezes à IA e que a Universidade Metodista de Angola tem de reestruturar o programa curricular de Língua Portuguesa e Comunicação, tendo em conta os desafios actuais face à IA.
Revelou ser necessário as faculdades realizarem eventos semelhantes, para que as pessoas não saiam da universidade no vazio, e sugeriu a criação de um laboratório de comunicação na Universidade Metodista de Angola.
Já Luís Galrão, jornalista português que trabalhou no país ao longo de anos, sugeriu maior capacitação dos profissionais da comunicação e foi crítico ao dizer que, à semelhança de muitos angolanos, “em Portugal os licenciados em Jornalismo e Comunicação também chegam ao local de trabalho com muitos problemas de base”.
Após o colóquio, Telma dos Reis, directora do curso de Língua Portuguesa e Comunicação, procedeu à entrega de certificados aos prelectores.
Estudantes homenageiam professor Tomé Grosso
Os estudantes aproveitaram a ocasião para homenagear o professor Tomé Grosso, pertencente aos cursos de Língua Portuguesa e Comunicação, assim como Teologia.
Tomé Grosso é licenciado e mestre em Línguas e Literaturas Africanas pela Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto (UAN), da qual também é docente colaborador. Na Universidade Metodista de Angola, ministra as disciplinas de Línguas Angolanas e Linguística Bantu. Possui artigos sobre o funcionamento de algumas línguas angolanas, sobretudo ligados às classes nominais.





